Museu




Sala de aula

Nesta sala apresentamos uma reconstituição de uma sala de aula de época, sem data definida, mas que se inspira em modelos entre as décadas de 1930 e 50.

"A sala de aula deve ser um celeiro de dúvidas e, quando estas existirem, ela não deve ser vista como um espaço material, mas, sim, como um instante de construção sócio - intelectual. Dessa forma, desejo explicitar o fato de que a escola necessita romper seus próprios limites físicos e se fazer vida com a vida. Portanto, a sala de aula é um espaço para investigação, para a busca de pistas que componham a construção do saber, que é um dos valiosos papéis da dúvida e, também, uma instância socializante, uma vez que nos permite estabelecer contato com uma imensa diversidade de seres e formas pensantes que precisam ser ouvidas e, consequentemente, respeitadas. É, ainda, um laboratório de formação e informação intelectual, passando a ser uma via que nos possibilita perceber outros caminhos." (1)


"Em suma, é na sala de aula que se compreende o macro universo existente à nossa volta, que está correlacionado ao nosso universo interior; é um caminho que nos possibilita entender melhor os caminhos da vida, fazendo-nos significar cada batida do coração e compreender suas alterações ao manifestarmos variadas emoções, por ser escola cada sala de aula e mestre, cada aprendiz, e serem todos (escola, salas de aula, mestres e aprendizes) partes de um todo denominado vida. Essas partes jamais representarão frações, pois são, por natureza, inteiras, e representam por si a vida, visto que a vida está contida nela mesma. Por essas razões é que na 'escola vida' e na 'vida escola' aprendemos, a cada instante, a sermos um pouco mais humanos." (2)

As escolas como as conhecemos atualmente são produtos de uma contínua evolução histórica. O direito das crianças ao estudo e o próprio conceito de infância são concepções datadas do fim da Idade Média na Europa. Foi somente durante o séc. XII que o ensino de latim e as reflexões sobre cultura foram deslocados das abadias isoladas do campo para as escolas catedralícias urbanas, as quais auxiliaram a fomentar o aparecimento das universidade europeias um século depois.


O modelo arquitetônico, por assim dizer, das salas de aula vem se atualizando desde então. Vemos nessa iluminura do séc. XV, por exemplo, uma sala de aula na Universidade de Bologna. Enquanto o mestre lê sua lição, preso em seu púlpito, completamente apartado da turma, os alunos acompanham sentados em mesas largas voltados a ele. Entre os alunos estão representados, inclusive, aqueles que conversam durante a aula no canto da imagem; e outro,  inclusive, parece cochilar.


Esse modelo de ensino simultâneo foi implantado pela primeira vez em Florianópolis a partir de 1913. As salas de aula representaram uma grande inovação em comparação ao modelo individual que datava do período colonial. Dentro da nova proposta pedagógica, um grande grupo de alunos receberia ao mesmo tempo a mesma informação transmitida por um único professor.

No Museu da Escola Catarinense, reproduzimos uma sala de aula do período do governo de Getúlio Vargas (1932-1954): entre quatro paredes, uma extremidade com o quadro negro feito em madeira; em uma lateral, janelas; nos fundos, armários para guardar material e na outra lateral a porta de acesso. Em fileiras e dispostas por toda a sala, encontram-se os populares conjuntos de mesa e cadeira, conhecidos como “carteiras” em Santa Catarina. Na fileira central, as carteiras apresentam uma variação de tamanho para que os alunos sentassem em dupla, otimizando o espaço. Todas as carteiras  são voltadas para a mesa do professor, em frente ao quadro. Em um dos cantos na frente da sala está o armário porta-bandeira para prestar homenagens, como também o púlpito para declamações. Nas paredes, mapas e diversos quadros com amostras de sementes de café, algodão, milho e outros produtos produzidos pelo país neste período disputam espaço com o relógio e o crucifixo.




Coleção de quadros demonstrativos (originais e reproduções)

Da Academia de Comércio, o MESC recebeu, em 1996, a doação de 13 quadros que serviram como material didático e que representam a evolução dos produtos manufaturados, desde sua plantação até chegar aos produtos finais. Podemos citar o exemplo em que parte da árvore até a produção de lápis, papel e óleos, utilizando amostras legítimas dos materiais para a explicação didática. Alguns dados estão registrados nos próprios quadros, como autoria e origem. A coleção do museu conta com quadros sobre arroz, seda, fibras têxteis, café, algodão, milho, feijão e mamona. Os quadros são assinados por Alfredo Teixeira Junior e indicam fabricação na Cidade de Santos, São Paulo.

"Esses quadros são mostruários de produtos agrícolas nacionais, tais como café, arroz, feijão, algodão, seda, entre outros. Contêm fotografias, colagens de sementes, vidrinhos de substâncias como óleo e textos instrutivos. No caso específico dos aqui citados, também é necessário apurar acerca de sua trajetória até chegar à Academia de Comércio, de onde seguiram para o acervo do museu." (3)

Original _ Um dos quadros doados pela academia do comércio
para ver todos baixe o documento a seguir (quadros originais)


LINK PARA DOWNLOAD DOS QUADROS DEMONSTRATIVOS.ZIP



Museu Escolar

"Um museu escolar é uma junção de objetos, naturais e/ou fabricados, pertencentes aos reinos mineral, natural e animal, organizados em coleções pelos professores e alunos, destinados ao ensino, caracterizando-se como instrumentos auxiliar." (4)

"Chama-se Museu escolar uma reunião metódica de objetos comuns e usuais, destinados a auxiliar o professor de ensino das diversas matérias do programa escolar. Os objetos devem ser naturais, quer em estado bruto, quer fabricados, e devem ser representados em todos os estados por que os fizer passar a indústria. Os que não puderem ser representados em realidade, se-lo-ão por desenhos e por modelo." (5)

Fonte da imagem: Desconhecida. Reprodução - Impressão em placa de PVC.
 

Quadros parietais (quadros instrutivos)

Os mapas, quadros e imagens parietais são uma tecnologia ao serviço do ensino surgida no século XIX (o século da imagem) e utilizada também ao longo do XX. A utilização dos recursos parietais como meios técnico-didáticos de ensino enquadra-se num movimento mais vasto de ligação entre a ciência e o cotidiano, de onde surgiram imensas invenções técnicas.

Maison Deyrolle - Por volta de 1871, na França, Émile Deyrolle dá um impulso importante para a educação, através do desenvolvimento de quadros murais coloridos publicados sob o nome "A Escola Museu Deyrolle". Para as diferentes classes, desde o primário à universidade, os quadros tinham a intenção de ensinar "lições de coisas" como botânica, zoologia, entomologia, geografia, anatomia humana, cívica, física, química, geologia, mineralogia, biologia. Nessa mesma década, o Estado torna-se o principal cliente da Casa (6). A loja Deyrolle existe até hoje e segue produzindo quadros parietais. 

REPRODUÇÃO DE ECHINOIDEA_ Quadro parietal sobre zoologia do início de 1900 criado por Paul Pfurtscheller (1855- 1927), o zoólogo austríaco e ilustrador de história natural. Originalmente publicado por A. Pichler's Witwe & Sohn und Buchhandlung Lehrmittelanstalt, (A. Pichler's Widow & Son, livraria de literatura educacional e material didático) Viena e Leipzig. A medida do original era 50,5 x 55,5 cm. As placas eram vendidas como folhas soltas (algumas dobradas), às vezes colocavam uma camada de verniz, que é responsável pelo aspecto muitas vezes amarelado. Impressão em placa de PVC.


                  

Pappillons - Reprodução de quadro da Maison Deyrolle, impressão em placa de PVC.


Le chêne - Reprodução do quadro de Maison Deyrolle, impressão em PVC.


Quadros Parker – salas de aula organizada segundo os princípios intuitivos

"Lição de coisas que, de acordo com Dona Glorinha, deveria acontecer, diariamente, na aprendizagem da aritmética, da língua portuguesa, da história e da geografia: as crianças precisam ver, ter contato com as coisas [...]  E para auxiliar nas lições de coisas ela contava com materiais pedagógicos, como esqueletos humanos, mapas geográficos, figuras geométricas envernizadas e os Quadros Parker. Os mapas são importantíssimos para o ensino da geografia[…]  Os Quadros ou Mapas Parker, como também eram conhecidos, eram, segundo o seu depoimento, cartazes grandes, de aproximadamente um metro de comprimento por 50 centímetros de largura, contendo bolinhas, 84 dados e números, os quais eram apresentados às crianças em um cavalete de madeira." (7)
 

Reprodução de Quadro Parker para o ensino de matemática. Fonte da imagem:
TEIVE, 2008. Impressão em placa de PVC.


"Cada grupo escolar possuía apenas um conjunto desses. Na tese apresentada à 1ª Conferência Estadual de Ensino Primário, realizada em Florianópolis, no ano de 1927, o professor Albano Monteiro Spinola afirma que os Mapas Parker traziam também estampas de animais e de objetos que faziam parte do cotidiano das crianças, tais como cachorros e gatos, os quais iam aumentando em número em cada mapa. Através de perguntas e de respostas, no melhor estilo das lições de coisas, o/a professor/a deveria ir propondo pequenos problemas para serem resolvidos pelas crianças […]  Para reforçar esse aprendizado, a professora Beatriz de Sousa Brito, na tese que apresentou sobre o mesmo tema, na citada conferência, sugere que os/as professores/as deveriam, além das estampas dos mapas, utilizar-se dos objetos existentes na própria sala de aula: número de janelas e de portas, número de carteiras na fila direita e na esquerda, número de alunos sentados e de pé, etc., bem como utilizar-se o mais possível de objetos concretos como bolinhas de gude, palitinhos, tabuinhas, etc., os quais possibilitariam às crianças fazer as operações de somar, diminuir, multiplicar e dividir sem contar nos dedos, preparando-se dessa forma para as abstrações. Assim, por possibilitar o ensino objetivo e concreto, para além do cálculo abstrato até então vigente nas escolas, os Mapas ou Quadros Parker eram considerados ideais para a aprendizagem intuitiva da aritmética, umamatéria cujos conhecimentos o aluno terá de empregar amplamente na vida, portanto, tudo quanto a ele se refere deve ser prático, útil e verdadeiro."

As salas de aula, majoritariamente as dos grupos escolares, encheram-se de luz, cor e formas: gravuras, mapas, coleções de insetos, globos terrestres, abecedários de madeira, esqueletos humanos, imagens de homens ilustres.

Sala de aula do Grupo Escolar Nilo Peçanha (1911)
Ao lado da professora está a normalista, aprendendo o ofício como as crianças, através da prática da observação. Detalhe para a oração cuidadosamente escrita no quadro-negro: "O sol do pensamento é a instrução". Reprodução - Impressão em placa de PVC.


"Nas paredes, abundância de quadros intuitivos para o ensino das ciências naturais, história e geografia e Quadros Parker para o aprendizado da aritmética. Em lugar de destaque ficavam o globo terrestre para o ensino da geografia, o museu escolar, com sua coleção de objetos, para a prática das lições de coisas de história natural, o quadro-negro para garantir a convergência das atenções dos/as indispensável para a prática do ensino simultâneo e a bandeira nacional, símbolo máximo da Pátria e da República, para as lições cívicas. E para completar o cenário, a incorporação ao cotidiano da sala de aula do símbolo da era industrial moderna: o relógio, marcando os ritmos da ação educativa medindo os rituais, ordenando a vida escolar. […] Considerados indispensáveis à prática do método de ensino intuitivo ou lições de coisas - ícone da modernidade pedagógica os materiais escolares constituíram-se, certamente, num dos aspectos mais significativos da cultura escolar brasileira no início do século XX, contribuindo para que a instituição escolar cumprisse a sua dupla tarefa de instruir e educar/moralizar/higienizar/civilizar."

Fontes consultadas:

1 Teive, Gladys M.G. Uma vez normalista, sempre normalista - cultura escolar e produção de um habitus pedagógico (Escola Normal Catarinense - 1911/1935). 1ª. ed. Florianópolis: Insular, 2008. 220p.
2 Martins, Pinheiro. Das cavernas à sala de aula. Rio de Janeiro, 2011.
3 Silva, Vera Lucia Gaspar e Petry, Marília Gabriela. A Aventura de inventariar. Rev. bras. hist. educ., campinas-SP, v. 11, n. 1 (25), p. 19-41, jan./abr. 2011 . Paginas 20 a 41.
4 Silva, Vera Lucia Gaspar e Petry, Marília Gabriela. Objetos da Escola. Florianópolis, Editora Insular, 2012. Pag. 85
5 Frazao apud Silva, Vera Lucia Gaspar e Petry, Marília Gabriela. Idem, p. 83.
6 Disponível em < http://www.deyrolle.com/pt.>. Acesso 03 dez. 2014.
7 Teive, Gladys.M.G. Uma vez normalista, sempre normalista - cultura escolar e produção de um habitus pedagógico (Escola Normal Catarinense - 1911/1935). 1ª. ed. Florianópolis: Insular, 2008. 220p.

 
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